A oportunidade de fazer o bem

Aconteceu em Balneário Camboriú, Santa Catarina, em 2026. Depois de um forte temporal, um vaso de uma loja caiu na calçada por volta das 23h, quebrou e espalhou pedaços pelo local. Cerca de 20 minutos depois, as câmeras de segurança registraram uma cena inesperada: um homem que mais tarde foi identificado como Schneider, funcionário da Havan que havia acabado de sair do trabalho, parou diante do estabelecimento — que nem sequer era o local onde trabalhava — e, debaixo de chuva, recolheu os cacos, levantou o vaso e deixou a calçada organizada. A proprietária da loja só descobriu o que havia acontecido ao consultar as imagens de segurança e ficou emocionada ao perceber que um desconhecido havia feito aquilo sem qualquer obrigação ou expectativa de recompensa. O gesto chegou até Luciano Hang, dono das lojas Havan, que divulgou as imagens e elogiou publicamente Schneider.
Essa história ilustra bastante bem uma verdade dita por Jesus no Sermão do Monte, registrada em Mateus 6. Jesus estava falando justamente sobre não praticar o bem ou fazer boas obras diante dos outros para ser visto ou reconhecido. “Que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a mão direita, de forma que você preste ajuda em secreto”, dizia Jesus no verso 3. E logo no verso seguinte Jesus acrescenta uma promessa: “E o seu Pai, que vê o que é feito em secreto, o recompensará.” (Mateus 6:3-4 | NVI)
O caráter é revelado quando acreditamos que ninguém está olhando. Schneider não sabia que estava sendo filmado. Não havia plateia, chefe, cliente ou recompensa. Mesmo assim, parou, cansado ao final de um dia de trabalho, às 23 horas, debaixo de chuva, recolheu os cacos e organizou a calçada.
E, mesmo fazendo em segredo, sem esperar nada em troca, a recompensa veio. Ele recebeu o reconhecimento do dono da sua empresa e da sociedade em geral. E, se você entrar no seu perfil do Instagram, verá que, em junho, ele comemorou 3 mil seguidores em sua rede social. Hoje, quando escrevo esta reflexão, já são mais de 14 mil.
Preciso dizer, no entanto, que nem toda recompensa será nesta terra. Na verdade, acredito que poucas vezes será aqui. Mas não tenho dúvidas de que ela sempre virá. Aqui ou na glória, ela virá.
Na carta de Paulo aos Filipenses também somos desafiados: “Não procurem apenas os próprios interesses, mas preocupem-se também com os interesses dos outros.” (Filipenses 2:4). Schneider poderia ter pensado: “Isso aqui não é problema meu”. Mas ele não pensou assim. E o Evangelho nos chama a olhar para as necessidades ao nosso redor, e não apenas para aquilo que formalmente está sob nossa responsabilidade.
Aquele vaso quebrado foi uma oportunidade que Deus colocou diante daquele trabalhador. E talvez o Senhor também já tenha colocado oportunidades diante de você que não foram aproveitadas. E não falo de oportunidades para ganhar uma recompensa, mas sim de oportunidades para tão somente fazer o bem: “Portanto, sempre que tivermos oportunidade, façamos o bem a todos.” (Gálatas 6:10).
Talvez a próxima oportunidade de fazer o bem não venha acompanhada de aplausos, mas nunca passará despercebida aos olhos de Deus.
Oração: Senhor, abre meus olhos para reconhecer as oportunidades de fazer o bem e dá-me um coração disposto a servir, mesmo quando ninguém estiver olhando. Amém.
Versículo do dia: “Portanto, sempre que tivermos oportunidade, façamos o bem a todos.” (Gálatas 6:10 | NVI)
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