Uma vitória extraordinária

Em Números 31:1–54, Deus ordenou a Moisés que Israel executasse seu juízo contra os midianitas. Doze mil homens, mil de cada tribo, foram à batalha. Fineias, filho do sacerdote Eleazar, acompanhou o exército levando os objetos sagrados e as trombetas. Israel obteve uma vitória extraordinária: derrotou os midianitas e não perdeu nenhum soldado. Ao retornarem, os oficiais fizeram uma contagem e constataram que todos os 12 mil guerreiros haviam sobrevivido. Como resposta ao que consideraram uma experiência extraordinária, apresentaram ao Senhor uma oferta de ouro (Números 31:48–54).
A ausência de baixas foi tão impressionante que os próprios comandantes fizeram questão de registrar o fato e apresentar seus agradecimentos a Deus. Todos os 12 mil homens haviam retornado vivos!
Estatisticamente, mesmo sob hipóteses bastante favoráveis, e fazendo uso de alguns dados estatísticos de guerras similares naquele tempo, este seria um resultado extraordinariamente improvável. Podemos fazer um exercício matemático: supondo que cada soldado tivesse uma probabilidade individual de morte de apenas 0,1%, e que os riscos fossem independentes entre si, a probabilidade de os 12 mil retornarem sem nenhuma baixa seria de aproximadamente 1 em 164 mil.
Mas outro detalhe chama a atenção no relato bíblico: os comandantes não retornaram exaltando a si mesmos ou atribuindo a vitória exclusivamente à capacidade de seus soldados. Pelo contrário, reconheceram a importância de apresentar ao Senhor uma oferta de ouro. O texto registra que eles fizeram essa oferta para apresentá-la diante de Deus e buscar expiação por si mesmos (Números 31:50). Sua atitude revela reconhecimento, reverência e gratidão diante de uma experiência extraordinária.
Essa história nos lembra de uma verdade importante: quando Deus nos concede uma vitória, não devemos nos esquecer de reconhecer quem merece toda a glória. Podemos nos preparar, trabalhar, planejar e empregar todos os recursos disponíveis, mas jamais devemos permitir que nossas conquistas alimentem o orgulho ou nos façam esquecer de Deus.
Em Provérbios encontramos esta declaração: “O cavalo prepara-se para o dia da batalha, mas do Senhor vem a vitória.” (Provérbios 21:31 | ARA)
O salmista também reconhece que as conquistas de Israel não eram resultado apenas da força humana: “Pois não foi pela espada que conquistaram a terra, nem foi o braço deles que lhes deu a vitória; foi a tua mão direita, o teu braço e a luz do teu rosto, por causa do teu amor para com eles.” (Salmos 44:3 | NVI)
Não há problema em celebrar uma conquista ou reconhecer o esforço envolvido em uma vitória. O perigo está em esquecer a fonte de toda a nossa força e acreditar que somos os únicos responsáveis por aquilo que alcançamos.
A verdadeira grandeza não está apenas em conquistar uma vitória, mas também em reconhecer, com humildade, a quem pertence a glória.
Oração: Senhor, não permitas que o orgulho me faça esquecer de ti. Ensina-me a reconhecer tua presença em minhas conquistas, agradecer por tuas bênçãos e dar sempre a ti toda a glória. Amém.
Versículo do dia: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” (Isaías 41:10 | ARA)
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