“Este é o meu corpo”

Durante a última ceia com seus discípulos, Jesus tomou o pão, deu graças, partiu-o e o ofereceu a eles, dizendo: “Este é o meu corpo, que por vós é dado” (Lucas 22:19). Naquela noite, sabendo que em breve enfrentaria a cruz, Cristo instituiu a Santa Ceia como memorial de seu sacrifício, anunciando que entregaria o próprio corpo e derramaria o próprio sangue para nos oferecer perdão e vida eterna. Suas palavras revelam a essência do Evangelho: Jesus não preservou a própria vida a qualquer custo, mas, por amor, entregou-se voluntariamente em nosso favor. O pão partido tornou-se o símbolo dessa entrega suprema, lembrando-nos de que nossa salvação foi conquistada pelo sacrifício daquele que deu a própria vida para que pudéssemos viver.
Por outro lado, é curioso pensar que o movimento abortista utiliza a mesma expressão “Este é o meu corpo” como uma síntese da defesa da autonomia corporal e do direito da mulher de decidir sobre a própria gravidez. Sob esse argumento, cada mulher deve ter liberdade para decidir se deseja ou não levar uma gestação adiante, sem que o Estado, a religião ou terceiros imponham essa decisão. A expressão tornou-se um símbolo da reivindicação de que a mulher tenha autoridade sobre o próprio corpo e sobre as escolhas reprodutivas que afetam sua vida.
Por isso, o aborto é a antítese do Evangelho.
Jesus disse: “Este é o meu corpo”, e entregou sua própria vida para que nós pudéssemos viver.
Já os defensores do aborto também recorrem à expressão “Este é o meu corpo”, mas para reivindicar o direito de interromper a vida de outro ser humano.
Precisamos aprender de Cristo, que entregou o próprio corpo para que outros tivessem vida. No Evangelho, o amor se manifesta na entrega de si mesmo em favor do outro. E isso contrasta diretamente com a ideia de interromper a vida de alguém que ainda não nasceu para que a própria vida não seja afetada de alguma forma.
Vivemos em uma sociedade cada vez mais centrada na individualidade, em que o “eu” ocupa o lugar que deveria ser compartilhado com o próximo. Somos incentivados a buscar nossos próprios desejos, defender nossos direitos, satisfazer nossas vontades e colocar nossa felicidade acima de qualquer outra coisa, como se o propósito da vida fosse fazer com que tudo e todos girassem ao nosso redor. O sacrifício passou a ser visto como fraqueza, a renúncia como perda e o compromisso com o outro como um obstáculo à realização pessoal.
Cristo, ao contrário, demonstrou o maior amor possível ao entregar voluntariamente sua vida por nós, pecadores, para nos reconciliar com Deus e nos conceder a salvação. Como afirma Romanos 5:8, “Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”. E, em 1 João 3:16, lemos: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós”. A cruz revela que não fomos salvos por nossos méritos, mas pelo amor e pela graça daquele que se entregou para que pudéssemos ter vida eterna.
Na cruz, Jesus declarou: “Este é o meu corpo”, e fez de sua própria entrega o caminho para a nossa vida. O Evangelho nos ensina a entregar a nós mesmos por amor, não a defender a própria vontade a qualquer custo.
Oração: Senhor Jesus, ensina-nos a compreender a profundidade do teu sacrifício e a viver segundo o teu exemplo de amor e entrega. Dá-nos sabedoria, compaixão e coragem para defender a vida, acolher aqueles que enfrentam situações difíceis e demonstrar, em nossas atitudes, o amor que recebemos de ti. Amém.
Versículo do dia: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.” — 1 João 3:16 | ARA
![]()




