Conhecemos o Autor da história

É interessante pensar em como enxergamos as histórias da Bíblia. Acredito que, na maioria das vezes, nossa percepção é limitada e até injusta. Não somos capazes de dimensionar o quão difícil foi o período em que Davi viveu escondido em cavernas, fugindo pelo deserto para não ser morto por Saul. Não conseguimos imaginar o que custou para Abraão deixar sua terra e sua parentela, caminhando rumo a um destino que nem conhecia. Não somos capazes de compreender o peso que Pedro carregou depois de negar Jesus três vezes. Tampouco conseguimos sentir a dor de José ao ser vendido pelos próprios irmãos, preso injustamente e esquecido na prisão.

Por outro lado, é muito fácil julgar a incredulidade de Sara, porque já conhecemos o final da história. É fácil admirar a coragem de Daniel, porque sabemos que ele saiu ileso da cova dos leões. Parece natural imaginar que Noé nunca duvidou de sua missão enquanto construía a arca, porque sabemos que o dilúvio realmente aconteceu. Conhecemos o desfecho de cada uma dessas histórias, e isso nos impede de perceber com justiça tudo o que aquelas pessoas sentiram, pensaram e enfrentaram durante o processo.

Mas tudo muda quando a história é a nossa. Quando chega um diagnóstico médico inesperado, uma conta que parece impossível de pagar, a perda de um emprego, uma traição, um luto ou qualquer outra circunstância que foge ao nosso controle, o medo toma conta do coração. Afinal, dessa vez, nós ainda não conhecemos o final da história.

E talvez seja exatamente isso que esquecemos ao ler a Bíblia. Davi também não sabia que um dia seria rei. José não fazia ideia de que sairia da prisão para governar o Egito. Sara não tinha como imaginar que, já idosa, seguraria o filho da promessa nos braços. Daniel entrou na cova dos leões sem saber como sairia dela. Noé passou décadas construindo uma arca sem nunca ter visto uma chuva daquela proporção. Eles não permaneceram firmes porque conheciam o final da história. Permaneceram porque conheciam o Autor da história.

É justamente aí que encontramos um padrão que se repete do Gênesis ao Apocalipse: Deus nunca deixou de ser fiel.

Isso não significa que todos viveram sem lágrimas, sem medo ou sem momentos de dúvida. Pelo contrário. Eram homens e mulheres como nós, sujeitos às mesmas limitações, às mesmas angústias e às mesmas perguntas. Certamente choraram, sentiram medo e, em alguns momentos, pensaram em desistir. Mas permaneceram confiando em Deus. E Deus permaneceu fiel. A fidelidade de Deus nunca dependeu da capacidade deles de entender o que estava acontecendo. Ela depende do caráter imutável do próprio Deus.

Por isso, quando você não conseguir enxergar o próximo capítulo da sua história, lembre-se de que Deus já o conhece por completo. Talvez você não saiba como tudo terminará. Mas pode descansar sabendo Quem está escrevendo cada página. Não conhecemos o final da nossa história, mas conhecemos o Autor.

Como declarou Jeremias em meio ao sofrimento de Jerusalém: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos… grande é a tua fidelidade.” (Lamentações 3:22-23 – ARA)

Se Deus foi fiel a Davi, a José, a Sara, a Daniel, a Noé e a tantos outros, Ele continuará sendo fiel hoje. Porque o Deus que escreveu o final da história deles é o mesmo Deus que está escrevendo a sua.

Oração: Senhor, muitas vezes o medo toma conta do meu coração porque não consigo enxergar o que virá amanhã. Ajuda-me a confiar não no que vejo, mas em Quem Tu és. Assim como sustentaste Teus servos ao longo das Escrituras, sustenta também a minha vida. Dá-me forças para permanecer firme enquanto a história ainda está sendo escrita, sabendo que Tu nunca abandonas aqueles que confiam em Ti. Obrigado porque a Tua fidelidade não muda. Em nome de Jesus, amém.

Versículo do dia: “Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel.” (Hebreus 10:23 – ARA)

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