As pequenas coisas que não deveriam permanecer em nossa vida

Aconteceu no litoral do Peru, em 2 de outubro de 1996. O voo 603 da AeroPerú, um Boeing 757 que partiu de Lima com destino a Santiago, caiu no Oceano Pacífico cerca de 30 minutos após a decolagem, provocando a morte das 70 pessoas a bordo. A investigação concluiu que a causa principal do acidente foi a permanência de fitas adesivas sobre os sensores de pressão estática da aeronave, colocadas durante um procedimento de limpeza e polimento da fuselagem, mas que não foram retiradas antes de o avião voltar a operar.

Esses sensores fornecem informações essenciais para os instrumentos de altitude e velocidade. Com as entradas bloqueadas, os pilotos passaram a receber indicações incorretas e contraditórias, acompanhadas de diversos alarmes. A tripulação tentou retornar ao aeroporto de Lima, mas não conseguiu compreender corretamente a situação da aeronave. A investigação também identificou falhas nas inspeções de manutenção e erros da tripulação no tratamento dos alertas. Uma pequena falha, que poderia ter sido identificada antes da decolagem, atravessou várias etapas de verificação e terminou em uma tragédia que não deixou sobreviventes.

Tente imaginar o quão trágico foi esse acidente: uma aeronave preparada para transportar 70 pessoas, com pilotos experientes, sistemas sofisticados e todos os recursos necessários para realizar o voo, terminou caindo no mar porque algumas fitas adesivas permaneceram onde não deveriam estar. Aquilo que deveria ter sido removido antes da decolagem acabou comprometendo todo o sistema de orientação.

Essa história traz uma importante aplicação espiritual para nossas vidas. Podemos ter uma vida aparentemente organizada, frequentar a igreja, conhecer a Bíblia, exercer ministérios e até demonstrar maturidade cristã. Mas, se permitirmos que determinadas coisas permaneçam em nosso coração, ainda que pareçam pequenas, elas poderão comprometer nossa percepção espiritual e nossas decisões.

Pode ser um ressentimento que nunca abandonamos, um pecado que aprendemos a justificar, uma mágoa que alimentamos ou uma desobediência cuja solução adiamos.

O mais perigoso é que nem sempre percebemos imediatamente os efeitos dessas coisas. Continuamos caminhando, tomando decisões e acreditando que está tudo bem, enquanto nossa percepção espiritual vai sendo comprometida. A Palavra de Deus nos adverte: “Por isso, é preciso que prestemos maior atenção no que temos ouvido, para que jamais nos desviemos.” (Hebreus 2:1 | NVI)

A grande verdade é que existem coisas que não deveriam permanecer em nossa vida. Não espere que elas comprometam sua caminhada para decidir removê-las. Aquilo que Deus já mostrou que precisa ser abandonado não deve continuar sendo carregado.

Em Hebreus encontramos esta preciosa orientação: “Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve e corramos com perseverança a corrida proposta para nós, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé.” (Hebreus 12:1-2a | NVI)

Antes de pedir a Deus que mostre o caminho, permita que Ele remova tudo aquilo que está impedindo você de enxergá-lo. Não subestime as pequenas coisas que precisam ser retiradas da sua vida. Aquilo que hoje parece insignificante pode, amanhã, comprometer sua caminhada com Deus.

Oração: Senhor, examina meu coração e revela tudo aquilo que não deveria permanecer em minha vida. Dá-me coragem para abandonar o que me afasta de ti e sabedoria para caminhar sempre com os olhos em Jesus. Amém.

Versículo do dia: “Por isso é que se diz: ‘Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração de vocês, como na rebelião’.” (Hebreus 3:15 | NVI)

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