Bondade também precisa de discernimento

Aconteceu na Cidade do México, em 28 de abril de 2025. Uma mulher de 77 anos, que cuidava sozinha do filho com paralisia cerebral, precisava transferi-lo de um lugar para outro dentro de casa, mas não tinha forças para fazê-lo sozinha. Ela saiu à rua e pediu ajuda a um homem desconhecido que passava pelo local. O homem aceitou acompanhá-la e, inicialmente, realmente ajudou a idosa a movimentar o filho. Depois, porém, aproveitou-se da confiança que havia recebido. Ele acompanhou a mulher até outro cômodo da casa, onde a atacou e a sufocou, derrubando-a no chão, e em seguida roubou dinheiro e outros objetos. Toda a ação foi registrada pelas câmeras de segurança da residência. O suspeito, identificado como Dorian “N”, foi posteriormente localizado e preso pelas autoridades. Segundo a polícia, ele já possuía antecedentes criminais e havia passado anteriormente pela prisão.

Esta é uma daquelas histórias que podem nos fazer perder a esperança na humanidade. Uma idosa, por extrema necessidade, pediu ajuda a um desconhecido e depositou nele uma confiança que acabou sendo cruelmente traída.

Mas, além da indignação que uma história como essa provoca, ela me fez pensar sobre a importância de discernirmos em quem depositamos nossa confiança.

A Bíblia não nos ensina a desconfiar de todas as pessoas, nem nos chama a viver acreditando que todo desconhecido representa uma ameaça. Entretanto, ela também não nos ensina a sermos ingênuos. Jesus disse aos seus discípulos: “Sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas.” — Mateus 10:16.

Observe que Jesus colocou duas coisas lado a lado: prudência e simplicidade. Precisamos ter um coração disposto a fazer o bem, mas também precisamos ter sabedoria para reconhecer situações perigosas. Bondade não significa ausência de discernimento.

A Palavra de Deus nos alerta repetidamente sobre os limites de colocar nossa confiança nas pessoas. Jeremias escreveu: “Assim diz o Senhor: ‘Maldito é o homem que confia em outros seres humanos, que depende da força humana e afasta seu coração do Senhor.’” — Jeremias 17:5. E o salmista declarou: “É melhor buscar refúgio no Senhor que confiar em pessoas.” — Salmo 118:8.

Isso não significa que não devemos confiar em ninguém. A própria Bíblia nos ensina a amar, servir, ajudar, perdoar e caminhar em comunhão com outras pessoas. O que ela nos ensina é que nenhum ser humano deve ocupar o lugar que pertence somente a Deus.

Podemos confiar em pessoas, mas nossa confiança final deve estar no Senhor. Podemos aceitar ajuda, mas precisamos pedir sabedoria para discernir de quem recebemos essa ajuda. Podemos estender a mão ao próximo, mas isso não significa abandonar a prudência.

Provérbios nos dá uma orientação muito prática: “O prudente percebe o perigo e busca refúgio, mas os inexperientes seguem adiante e sofrem as consequências.” — Provérbios 22:3.

Há uma diferença entre ter um coração bom e ter um coração ingênuo. Jesus nunca nos chamou para sermos ingênuos. Ele nos chamou para sermos sábios, prudentes e, ao mesmo tempo, cheios de amor.

Por isso, peça a Deus não apenas um coração disposto a ajudar, mas também sabedoria para saber quando, como e em quem confiar. Nem toda porta deve ser aberta, nem toda pessoa deve receber o mesmo nível de confiança, e nem toda situação deve ser enfrentada sem cautela.

Nossa segurança definitiva não está na capacidade de prever todas as intenções das pessoas. Está em saber que podemos colocar nossa vida nas mãos daquele que conhece o coração humano e nunca falha.

Bondade não significa confiar cegamente. Amar o próximo também exige sabedoria para discernir.

Oração: Senhor, dá-me um coração bondoso, mas também um espírito prudente. Ajuda-me a discernir pessoas e situações, a não ser ingênuo e a colocar minha confiança acima de tudo em ti. Que eu possa fazer o bem sem perder a sabedoria e amar as pessoas sem esquecer que minha segurança está em tuas mãos. Amém.

Versículo do dia: “O prudente percebe o perigo e busca refúgio, mas os inexperientes seguem adiante e sofrem as consequências.” — Provérbios 22:3 | NVT

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