Fazer o que é certo desejando o que é errado

É possível fazer o que é certo desejando o que é errado? A história de Balaão nos diz que sim.

Balaão aparece pela primeira vez em Números 22 a 24, quando Balaque, rei de Moabe, manda chamá-lo para amaldiçoar o povo de Israel. Ele era conhecido por suas palavras de poder espiritual e por aquilo que declarava sobre pessoas e povos.

Balaão então recebe uma ordem clara de Deus: não amaldiçoar Israel. Quando Balaque insistiu, Balaão chegou a declarar: “Mesmo que Balaque me desse o seu palácio cheio de prata e ouro, eu não poderia fazer coisa alguma, grande ou pequena, que fosse contra a ordem do Senhor, meu Deus.” — Números 22:18.

Por fora, parece uma declaração perfeita de fidelidade. E, de fato, quando chegou diante de Israel, Balaão não os amaldiçoou. Ele disse exatamente aquilo que Deus colocou em sua boca. Em três diferentes oportunidades, Balaão obedeceu a Deus e não amaldiçoou Israel.

Mas havia um problema que não aparecia imediatamente em suas palavras: seu coração continuava desejando a recompensa de Balaque.

Pedro revela, séculos depois, o pecado de Balaão: “Eles abandonaram o caminho reto e se desviaram, seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça.” — 2 Pedro 2:15.

É interessante observar que Balaão podia dizer as palavras certas e, ao mesmo tempo, desejar a coisa errada. E isso nos revela que é possível obedecer com as mãos enquanto o coração permanece em desobediência.

Podemos fazer o que Deus manda sem necessariamente amar aquilo que Deus ama. Podemos frequentar a igreja, levantar as mãos, cantar, pregar, ensinar, contribuir, servir e até tomar decisões exteriormente corretas, enquanto interiormente alimentamos orgulho, inveja, ganância, ressentimento, impureza ou desejo pelo pecado.

Jesus confrontou exatamente esse tipo de espiritualidade quando disse: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.” — Mateus 15:8.

O problema da obediência de aparência é que ela pode enganar as pessoas, mas nunca engana Deus. Deus não olha apenas para aquilo que fazemos; Ele também examina por que fazemos.

Existe uma diferença enorme entre fazer a vontade de Deus porque o amamos e fazer aquilo que Deus ordenou enquanto esperamos uma oportunidade para satisfazer aquilo que realmente queremos. A verdadeira obediência não acontece apenas quando nossas mãos fazem o que Deus ordena, mas quando nosso coração ama aquilo que Deus ama.

Podemos fazer a coisa certa pelas razões erradas — e Deus vê a diferença. É possível que nossas mãos estejam obedecendo enquanto nosso coração já esteja negociando com o pecado.

Finalmente, Balaão encontrou uma maneira de alcançar o favor de Balaque. Mais tarde, aconselhou mulheres moabitas e midianitas a fazer Israel cair por meio da sedução e da idolatria. Isso está registrado em Números 31:16: “Eis que estas mulheres, por conselho de Balaão, fizeram que os israelitas fossem infiéis ao Senhor…”. Demorou um pouco, mas o que sempre esteve no coração de Balaão, um dia, o alcançou.

A verdadeira obediência não é apenas fazer o que Deus manda; é desejar, no coração, aquilo que Deus deseja.

Oração: Senhor, examina o meu coração e mostra-me aquilo que ainda precisa ser transformado. Não permita que eu me contente apenas com uma obediência exterior, enquanto meu coração permanece distante de ti. Ensina-me a amar aquilo que tu amas e a obedecer-te não apenas com minhas mãos, mas também com o meu coração. Amém.

Versículo do dia: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” — Mateus 7:21 | ARA

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