O terceiro céu

O apóstolo Paulo descreve uma experiência extraordinária em sua segunda carta aos coríntios. Ele escreve: “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu.” (2 Coríntios 12:2 – ARA).

Essa expressão — terceiro céu — pode parecer estranha à primeira vista, mas a própria Bíblia nos ajuda a compreender que ela faz parte de uma visão bíblica antiga sobre os “céus”.

A Escritura frequentemente fala dos céus no plural. Por exemplo: “Eis que os céus e os céus dos céus pertencem ao Senhor.” (Deuteronômio 10:14 – ARA). Outros textos também mencionam essa pluralidade, como 1 Reis 8:27 e Neemias 9:6.

Com base nisso, muitos intérpretes entendem três níveis de “céu” mencionados na Bíblia:

  • Primeiro céu: a atmosfera da terra, onde estão as nuvens e voam as aves (Gênesis 1:20).
  • Segundo céu: o espaço onde estão o sol, a lua e as estrelas (Gênesis 1:14–17).
  • Terceiro céu: o lugar da presença de Deus.

No versículo seguinte, Paulo confirma essa ideia ao dizer: “Foi arrebatado ao paraíso.” (2 Coríntios 12:4 – ARA). O terceiro céu é identificado com o paraíso — o mesmo lugar que Jesus mencionou ao ladrão arrependido na cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso.” (Lucas 23:43 – ARA).

Não se trata de um lugar simbólico ou apenas espiritualizado, mas da realidade da presença de Deus.

Outro detalhe impressionante é que Paulo afirma que essa experiência aconteceu catorze anos antes de ele mencioná-la. Isso mostra algo profundo sobre o coração do apóstolo: ele não vivia promovendo experiências espirituais extraordinárias. Seu foco era exaltar Cristo, não a si mesmo. Hoje, muitos procuram experiências para impressionar outros. Paulo, porém, permaneceu em silêncio por anos.

E o que ele ouviu naquele lugar? Ele diz: “Ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir.” (2 Coríntios 12:4 – ARA).

A palavra usada por Paulo indica algo que não pode ser plenamente expresso em linguagem humana. Não é apenas algo proibido de contar — é algo glorioso demais para ser descrito.

Isso ecoa outras passagens das Escrituras em 1 Coríntios 2:9 – “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam” e também em Apocalipse 10:4 que diz: “Quando os sete trovões acabaram de emitir as suas vozes, eu ia escrever; mas ouvi uma voz do céu, que me dizia: Sela o que os sete trovões emitiram, e não o escrevas”. Apocalipse 10:4

O que podemos concluir de tudo isso? Há um lugar glorioso que nos espera. Um lugar onde a presença de Deus não será apenas sentida pela fé, mas contemplada face a face. Um lugar onde ouviremos coisas tão extraordinárias que não podem ser repetidas ou entendidas em nossa humanidade. E Deus está lá. E um dia, pela graça de Cristo, nós também estaremos. Como está escrito: “E assim estaremos para sempre com o Senhor.” (1 Tessalonicenses 4:17 – ARA).

Oração: Senhor, obrigado pela esperança que colocaste diante de nós. Em meio às lutas desta vida, lembra-nos de que nossa história não termina aqui. Fortalece nossa fé e dirige nossos passos para que vivamos hoje com os olhos voltados para a eternidade. Amém.

Versículo do dia: “Na casa de meu Pai há muitas moradas… vou preparar-vos lugar.” (João 14:2 – ARA)

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